{"id":13009,"date":"2020-10-22T14:26:04","date_gmt":"2020-10-22T14:26:04","guid":{"rendered":"https:\/\/criptoloja.com\/?p=13009"},"modified":"2020-10-22T14:26:04","modified_gmt":"2020-10-22T14:26:04","slug":"o-actual-sistemabancario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mercado-bitcoin-develop.go-vip.net\/criptoloja\/o-actual-sistemabancario\/","title":{"rendered":"O Actual Sistema Banc\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>No nosso artigo<strong> <a href=\"https:\/\/criptoloja.com\/2020\/08\/18\/o-que-e-o-dinheiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">&ldquo;O que &eacute; o dinheiro?&rdquo;<\/a> <\/strong>explic&aacute;mos que o dinheiro era um bem universalmente utilizado como <strong>intermedi&aacute;rio<\/strong> das trocas numa dada economia. Pelas suas caracter&iacute;sticas, o <strong>Ouro<\/strong> e a <strong>Prata<\/strong> foram utilizados como dinheiro ao longo de s&eacute;culos.<p>A generaliza&ccedil;&atilde;o do uso do dinheiro pela humanidade deu origem &agrave; actividade banc&aacute;ria. Para a conhecer em detalhe e como funciona nos nossos dias, importa realizar uma breve resenha da sua evolu&ccedil;&atilde;o ao longo da hist&oacute;ria.<\/p><p>Iremos come&ccedil;ar pelo Imp&eacute;rio Romano, onde se realizou, pela primeira vez, o enquadramento legal das distintas actividades banc&aacute;rias, atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de distintos contratos e metodologias.<\/p><p><strong>A actividade banc&aacute;ria no Imp&eacute;rio Romano<\/strong><\/p><p>Tal como em outras civiliza&ccedil;&otilde;es antigas, a actividade banc&aacute;ria no Imp&eacute;rio Romano iniciou-se nos templos consagrados aos Deuses. Muitos templos serviam de armaz&eacute;m a metais preciosos, como Ouro ou Prata, e estavam envolvidos na concess&atilde;o de empr&eacute;stimos.<\/p><p>A primeira necessidade que visavam satisfazer era a seguran&ccedil;a do dinheiro &ndash; Ouro ou Prata.<\/p><p><strong>Por duas raz&otilde;es, estarem:<\/strong><\/p><ul>\n<li><strong>(i)<\/strong> sempre ocupados por trabalhadores e sacerdotes;<\/li>\n<li><strong>(ii)<\/strong> sistematicamente patrulhados por soldados.<\/li>\n<\/ul><p>Os Romanos ricos sentiam-se seguros para depositar o seu dinheiro nestes templos; al&eacute;m disso, distribu&iacute;am os seus dep&oacute;sitos por v&aacute;rios templos por raz&otilde;es de seguran&ccedil;a, pois um templo podia pegar fogo ou ser saqueado.<\/p><p>Os sacerdotes controlavam os dep&oacute;sitos e os empr&eacute;stimos. Os templos n&atilde;o pagavam juros sobre os dep&oacute;sitos &ndash; j&aacute; iremos explicar o porqu&ecirc; &ndash; , mas cobravam juros sobre os empr&eacute;stimos e estavam envolvidos na troca e valida&ccedil;&atilde;o de moeda.<\/p><p>Para al&eacute;m dos sacerdotes, tr&ecirc;s tipos de pessoas realizavam actividades banc&aacute;rias em Roma: os <strong><em>Argentarii<\/em><\/strong>, os <strong><em>Mensarii<\/em> <\/strong>e os <strong><em>Nummularii<\/em><\/strong>. Os primeiros, os mais importantes, eram cidad&atilde;os livres e independentes do Estado; pertenciam a uma corpora&ccedil;&atilde;o que aceitava apenas um n&uacute;mero limitado de novos membros.<\/p><p>A fun&ccedil;&atilde;o principal dos <em>Argentarii<\/em> era trocar moeda estrangeira por moeda romana (<em>permutatio<\/em>). Tal como os balc&otilde;es dos bancos, os <em>Argentarii <\/em>tinham, regra geral, lojas pr&oacute;ximas dos f&oacute;runs de cada cidade romana. O seu papel expandiu-se ao longo do tempo para incluir quase todas as actividades banc&aacute;rias, tais como: depositar dinheiro, emprestar dinheiro e determinar o valor das moedas (e detectar moedas forjadas)e fazer circular dinheiro rec&eacute;m-cunhado. O seu trabalho assemelhava-se a muitos bancos modernos.<\/p><p>Vamos agora conhecer cada uma das actividades banc&aacute;rias praticadas na Roma Antiga.<\/p><p><strong>O dep&oacute;sito de dinheiro<\/strong><\/p><p>Visava satisfazer uma necessidade de seguran&ccedil;a. O cliente depositava Ouro ou Prata em troca de seguran&ccedil;a. Em muitos casos, pagava ao templo ou ao <em>Argentarii<\/em> por este servi&ccedil;o.<\/p><p>Como &eacute; &oacute;bvio, o depositante pagava em lugar de ser remunerado, atendendo que este servi&ccedil;o obrigava:<\/p><ul>\n<li>(i) ao pagamento de soldados pela seguran&ccedil;a;<\/li>\n<li>(ii) &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de um livro-raz&atilde;o, com o prop&oacute;sito de se conhecer, a todo o momento, a quem correspondia o Ouro e a Prata no armaz&eacute;m do templo ou &agrave; guarda do <em>Argentarii<\/em>.<\/li>\n<\/ul><p>Tal <strong>conceito <\/strong>&ndash; a remunera&ccedil;&atilde;o de dep&oacute;sitos para guarda de valores-, apenas apareceu com o advento do sistema fraudulento de reservas fraccionadas: iremos explic&aacute;-lo em detalhe mais adiante.<\/p><p>No direito Romano esta actividade estava claramente demarcada, atrav&eacute;s do contrato de <em>depositum<\/em> de bens fung&iacute;veis &ndash; aqueles que podem ser substitu&iacute;dos por outros da mesma esp&eacute;cie. Por outras palavras, s&atilde;o bens que n&atilde;o s&atilde;o tratados separadamente, mas sim em termos de quantidade, peso ou medida.<\/p><p>Neste caso, o depositante solicita ao deposit&aacute;rio do bem fung&iacute;vel para o guardar, proteger, e devolver. No momento da devolu&ccedil;&atilde;o do dep&oacute;sito, as seguintes regras devem ser seguidas:<\/p><ul>\n<li>O deposit&aacute;rio deve entregar ao depositante uma quantidade igual &agrave; quantidade depositada &ndash; do mesmo tipo e qualidade;<\/li>\n<li>O deposit&aacute;rio dever&aacute; realizar a devolu&ccedil;&atilde;o imediata do dep&oacute;sito, sempre que o depositante assim o entenda.<\/li>\n<\/ul><p>O contrato de <em>depositum <\/em>tinha como finalidade fundamental a guarda do bem fung&iacute;vel e implicava, <strong>durante a vig&ecirc;ncia do contrato<\/strong>, <strong>a disponibilidade total do bem a favor do depositante<\/strong>, na mesma quantidade, tipo e qualidade.<\/p><p>Em conclus&atilde;o, a quantidade de metal precioso depositado no templo ou &agrave; guarda do <em>Argentarii<\/em> de acordo com este tipo de contrato (<em>depositum <\/em>de bens fung&iacute;veis) teria de corresponder, a todo o momento, ao valor total de todos os dep&oacute;sitos &ndash; em quantidade, tipo e qualidade. Quem assim n&atilde;o procedesse, pelo direito romano, estava a praticar um crime de apropria&ccedil;&atilde;o indevida.<\/p><p>Em qualquer momento e em rela&ccedil;&atilde;o a qualquer depositante, assistia o direito deste solicitar o resgate do seu dep&oacute;sito; n&atilde;o necessariamente as barras ou as moedas concretamente depositadas, <strong>mas a mesma quantidade e qualidade inicialmente depositada<\/strong> (por exemplo, 1.000 Kg de 24K).A exist&ecirc;ncia desta obrigatoriedade define-se como um <strong>modelo banc&aacute;rio de reservas 100%.<\/strong><\/p><p><strong>Intermedia&ccedil;&atilde;o de poupan&ccedil;a<\/strong><\/p><p>Esta actividade consiste em satisfazer duas necessidades: <strong>(i)<\/strong> remunerar algu&eacute;m que deseja realizar um sacr&iacute;ficio de consumo presente por consumo futuro; <strong>(ii)<\/strong> conceder um cr&eacute;dito a algu&eacute;m que necessita de realizar um investimento ou realizar um consumo presente, recorrendo a cr&eacute;dito para tal.<\/p><p>A actividade banc&aacute;ria consiste em intermediar estas duas necessidades.<\/p><p>Vamos imaginar que existe um aforrador que tem na sua posse 10 Kg de Ouro (24 Kilates). N&atilde;o necessita de os utilizar em consumo imediato durante os pr&oacute;ximos dois anos. Assim, podia negociar com o <em>Argentarii<\/em>o pagamento de juros.<\/p><p>Vamos imaginar que este aceita pagar 5% ao ano, a uma taxa de juro simples. Desta forma, ao final dos dois anos o aforrador dever&aacute; devolver 11Kg de ouro (24 Kilates) &ndash; 10 Kg do capital inicial e 1Kg a t&iacute;tulo de juros.<\/p><p>Esta actividade <strong>implica risco para o aforrador<\/strong>, ao contr&aacute;rio do contrato de <em>depositum <\/em>de bens fung&iacute;veis, dado que pode existir o risco do <em>Argentarii <\/em>realizar cr&eacute;ditos com o Ouro entregue pelo aforrador que <strong>n&atilde;o s&atilde;o devolvidos &ndash; o denominado risco de cr&eacute;dito<\/strong>.<\/p><p>Para pagar ao aforrador, o <em>Argentarii <\/em>tinha de encontrar algu&eacute;m que necessitava de um cr&eacute;dito com o mesmo prazo. Para ilustrar, vamos imaginar que um empres&aacute;rio necessita de um cr&eacute;dito para construir uma manufactura de sand&aacute;lias para soldados.<\/p><p>Vamos igualmente supor que necessita de 10Kg (24 Kilates) durante dois anos, aceitando pagar 10%\/ano.<\/p><p>Assim, no nosso exemplo, se tudo correr de acordo com o esperado, o <em>Argentarii <\/em>ir&aacute; receber ao final de dois anos 12 Kg (10 Kg pelo empr&eacute;stimo; 2 Kg a t&iacute;tulo de juros).<\/p><p>O seu <strong>lucro<\/strong>, derivado da intermedia&ccedil;&atilde;o da poupan&ccedil;a, foi de 1Kg de Ouro. Trata-se de uma actividade leg&iacute;tima e absolutamente indispens&aacute;vel &agrave; economia; no entanto, uma pergunta se coloca?<\/p><p><strong> Por que raz&atilde;o o aforrador n&atilde;o realizou o neg&oacute;cio directamente com o empres&aacute;rio, ganhando 2 Kg de Ouroem lugar de apenas 1Kg de Ouro?<\/strong><\/p><p>Esta actividade implica conhecer v&aacute;rios empres&aacute;rios e consumidores que necessitam de empr&eacute;stimos; al&eacute;m disso, cada pessoa ou empres&aacute;rio que deseje um empr&eacute;stimo obriga a uma avalia&ccedil;&atilde;o de risco.<\/p><p><strong>Assim, este processo &eacute; extremamente custoso para um aforrador; por essa, raz&atilde;o apareceram intermedi&aacute;rios que captavam clientes para empr&eacute;stimos, avaliando o seu risco antes de os concederem<\/strong>.<\/p><p>Para al&eacute;m do risco de cr&eacute;dito, importa <strong>mencionar o risco de concentra&ccedil;&atilde;o<\/strong>. Colocar todo o aforro em apenas um empres&aacute;rio de sand&aacute;lias parece extremamente arriscado.<\/p><p>Para mitigar este risco, os banqueiros, neste caso os <em>Argentarii, <\/em>tentariam fraccionar o dep&oacute;sito a prazo de 10 Kg em v&aacute;rios cr&eacute;ditos concedidos a diferentes pessoas: 2 Kg ao empres&aacute;rio A; 3Kg ao empres&aacute;rio B; 1 Kg ao consumidor A; e assim sucessivamente.<\/p><p>Desta forma, n&atilde;o &ldquo;<strong>colocariam todos os ovos no mesmo cesto<\/strong>&rdquo;. Se um falhasse n&atilde;o ir&aacute; colocar em risco o pagamento dos seus compromissos junto dos depositantes a prazo.<\/p><p>No direito romano esta actividade estava definida pelo contrato de <em>Mutuum<\/em>: uma pessoa &ndash; o credor &ndash; confia a outra &ndash; o <strong>Mutu&aacute;rio<\/strong>&ndash; uma certa quantidade de bens fung&iacute;veis.<\/p><p>No final de um determinado prazo, o mutu&aacute;rio &eacute; obrigado a devolver uma quantidade igual de mercadorias <strong>do mesmo tipo e qualidade<\/strong>(<em>tantundem<\/em> em latim).<\/p><p>Um exemplo t&iacute;pico de um contrato de <em>mutuum<\/em>&eacute; o contrato de empr&eacute;stimo de dinheiro. No final do contrato, o mutu&aacute;rio n&atilde;o tem que devolver a barra de ouro com o n&uacute;mero XXX ou a moeda identificada pelo n&uacute;mero YYY, mas sim um determinado peso e qualidade de Ouro (10 Kg de 24 Kilates).<\/p><p>Durante a vig&ecirc;ncia do contrato, a propriedade e a disponibilidade do dinheiro s&atilde;o transferidas do credor para o mutu&aacute;rio. A pessoa que recebe o empr&eacute;stimo est&aacute; autorizada a usar o dinheiro como seu; ao mesmo tempo, promete devolver, no final de um determinado prazo, o mesmo n&uacute;mero de unidades monet&aacute;rias emprestadas.<\/p><p>O contrato <em>mutuum<\/em>, uma vez que se trata de um empr&eacute;stimo de bens fung&iacute;veis, implica uma troca de bens &ldquo;presentes&rdquo; por bens &ldquo;futuros&rdquo;; por outra palavras, em lugar do credor utilizar o seu dinheiro em consumo presente, realiza um sacrif&iacute;cio, pelo qual exigir&aacute; uma remunera&ccedil;&atilde;o, em troca de um consumo futuro &ndash; no momento da devolu&ccedil;&atilde;o.<\/p><p>Assim, pelo sacrif&iacute;cio que o credor realiza, n&atilde;o consumir no presente, no caso do contrato de <em>mutuum<\/em>, estabelece-se, regra geral, o pagamento de juros por parte do mutu&aacute;rio ao credor, como remunera&ccedil;&atilde;o do seu sacrif&iacute;cio.<\/p><p><strong>Processamento de transac&ccedil;&otilde;es <\/strong><\/p><p><strong>Em que consiste uma transac&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p><p>Trata-se simplesmente de uma nova entrada num livro-raz&atilde;o quando ocorre a altera&ccedil;&atilde;o de propriedade do dinheiro.<\/p><p>Imaginemos que a pessoa A acorda a compra de um autom&oacute;vel com a pessoa B, comprometendo-se a pagar 10 mil Euros. Neste caso, algu&eacute;m dever&aacute; realizar o registo de altera&ccedil;&atilde;o de propriedade dos 10 mil Euros; neste caso, a propriedade passou da pessoa A para a pessoa B numa determinada data\/hora.<\/p><p>Uma transac&ccedil;&atilde;o consiste em registar o remetente &ndash; o que perde a propriedade -, o destinat&aacute;rio &ndash; o novo propriet&aacute;rio &ndash;, o montante enviado, neste caso 10 mil Euros e a data\/hora a que foi realizada.<\/p><p>Na Roma antiga, se duas pessoas envolvidas numa determinada transac&ccedil;&atilde;o usassem o mesmo <em>Argentarii<\/em>, este registaria a transac&ccedil;&atilde;o nos seus livros-raz&atilde;o, designados por <strong><em>codices<\/em> <\/strong>(ou <em>tabulae<\/em>), a transfer&ecirc;ncia de dinheiro de uma conta para a outra.<\/p><p>Os <em>codices <\/em>eram muito precisos e considerados documentos de alta autoridade, sendo usados pelos tribunais romanos como evid&ecirc;ncia inquestion&aacute;vel.<\/p><p><strong>Resumo da actividade banc&aacute;ria na Antiga Roma<\/strong><\/p><p>Na Antiga Roma a actividade banc&aacute;ria j&aacute; estava devidamente definida e enquadrada no direito romano.<\/p><p><strong>Podemos ent&atilde;o resumir estas tr&ecirc;s actividades, que se mant&ecirc;m at&eacute; &agrave; actualidade:<\/strong><\/p><ol>\n<li>Cust&oacute;dia de valores &ndash; o depositante entrega ao deposit&aacute;rio Ouro ou Prata para que este &uacute;ltimo o guarde, proteja e devolva, caso o depositante assim o entenda; no caso de devolu&ccedil;&atilde;o, solicitada pelo depositante, o deposit&aacute;rio dever&aacute; realizar a devolu&ccedil;&atilde;o de imediato, da mesma quantidade, tipo e qualidade do metal precioso inicialmente depositado. <strong>Tal actividade obriga ao registo e controlo minucioso de todos os valores entregues &agrave; guarda do deposit&aacute;rio. Este &uacute;ltimo poder&aacute; cobrar uma comiss&atilde;o por este servi&ccedil;o<\/strong>;<\/li>\n<li>Intermedia&ccedil;&atilde;o de poupan&ccedil;a &ndash; consiste em captar dep&oacute;sitos a prazo, pagando durante o prazo acordado um juro ao aforrador, e fraccion&aacute;-los em v&aacute;rios cr&eacute;ditos com a mesma maturidade, mas cobrando um juro mais elevado. O fraccionamento visa mitigar o risco de concentra&ccedil;&atilde;o e de cr&eacute;dito &ndash; este &uacute;ltimo tamb&eacute;m obriga a uma avalia&ccedil;&atilde;o de risco. <strong>A diferen&ccedil;a entre o juro recebido e pago &eacute; a remunera&ccedil;&atilde;o desta actividade<\/strong>;<\/li>\n<li>Processamento de transac&ccedil;&otilde;es &ndash; consiste em <strong>registar num livro-raz&atilde;o <\/strong>todas as altera&ccedil;&otilde;es de propriedade do dinheiro, obrigando a conhecer: <strong>(i)<\/strong> o que perde a propriedade; <strong>(ii)<\/strong> o que recebe a propriedade; <strong>(iii)<\/strong> o montante transferido; <strong>(iv)<\/strong> data\/hora em que ocorreu a transac&ccedil;&atilde;o.<\/li>\n<li>O distanciamento geogr&aacute;fico dos clientes ou a exist&ecirc;ncia de neg&oacute;cios em geografias distintas pelo mesmo cliente, obrigou &agrave; abertura de delega&ccedil;&otilde;es e balc&otilde;es em diferentes locais para poder realizar esta actividade banc&aacute;ria. Adicionalmente, tal como a cust&oacute;dia, obriga a um registo minucioso e cuidado da situa&ccedil;&atilde;o da propriedade do dinheiro a cada momento.<\/li>\n<\/ol><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/criptoloja.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/economia-e1603376208754.jpg\" alt=\"Intermedia&ccedil;&atilde;o-de-poupan&ccedil;a\" width=\"800\" height=\"421\"><\/p><p><strong>Evolu&ccedil;&atilde;o ao longo dos s&eacute;culos<\/strong><\/p><p>Ao contr&aacute;rio do que se imagina, os princ&iacute;pios das tr&ecirc;s actividades associadas &agrave; actividade banc&aacute;ria n&atilde;o se alteraram at&eacute; aos dias de hoje, atendendo que os consumidores mant&ecirc;m estas necessidades, pois continuamos a utilizar o dinheiro.<\/p><p>Ao longo da hist&oacute;ria, o que ocorreu foi a completa corrup&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios subjacentes &agrave; actividade banc&aacute;ria e do sistema monet&aacute;rio, deteriorando-se expressivamente e deixando de servir a sociedade, tal como seguidamente iremos explicar.<\/p><p><strong>Monop&oacute;lio da cunhagem <\/strong><\/p><p>No artigo <strong>&ldquo;O que &eacute; o dinheiro?&rdquo;<\/strong> mencion&aacute;mos que uma das caracter&iacute;sticas necess&aacute;rias para que um bem se torne dinheiro &eacute; ser reconhecido e homog&eacute;neo.<\/p><p>As trocas seriam extremamente onerosas se implicassem que em cada troca o que recebe o dinheiro fosse obrigado a escrutinar, pesar e testar. Assim, nasceu a cunhagem.<\/p><p>Ao colocar um selo numa barra de ouro ou cunhar uma moeda, estamos a indicar a quem o recebe dois aspectos: a quantidade e a qualidade (por exemplo, uma barra de Ouro de 1 Kg de 24 Kilates).<strong>Tal informa&ccedil;&atilde;o facilita e agiliza uma transac&ccedil;&atilde;o comercial. <\/strong><\/p><p>Se existisse um mercado livre, teriam seguramente surgido empres&aacute;rios dedicados &agrave; cunhagem de metais preciosos.<\/p><p>A longo prazo, e devido &agrave; concorr&ecirc;ncia, vingariam aqueles mais reconhecidos pela sua seriedade e consist&ecirc;ncia; apesar das raz&otilde;es apontadas, esta foi a primeira interven&ccedil;&atilde;o estatal no sistema monet&aacute;rio: <strong>o monop&oacute;lio da cunhagem<\/strong>.<\/p><p>Desde sempre, Imperadores e Monarcas tentaram assegurar para si este monop&oacute;lio.<\/p><p><strong>Qual o objectivo deste monop&oacute;lio?<\/strong><\/p><p><strong>Poder taxar os cidad&atilde;os atrav&eacute;s da infla&ccedil;&atilde;o<\/strong>. Para financiar uma guerra, por exemplo, o monarca dava instru&ccedil;&otilde;es para que o processo de cunhagem inclu&iacute;sse uma menor quantidade de metal precioso nas novas moedas: diluindo, desta forma, o seu valor.<\/p><p>Num primeira fase, o tesouro p&uacute;blico podia adquirir maiores quantidades de bens e servi&ccedil;os com o mesmo valor nominal.<\/p><p>Quando a popula&ccedil;&atilde;o se apercebia, os pre&ccedil;os subiam; assim, uma determinada moeda com um valor nominal correspondente a uma on&ccedil;a de ouro, por exemplo, passava a adquirir uma menor quantidade de bens e servi&ccedil;os &ndash; pois, na realidade apenas possu&iacute;a 0,8 on&ccedil;as de ouro e nas faces indicava uma on&ccedil;a.<\/p><p>Outra forma de diluir o conte&uacute;do do metal precioso de uma dada moeda era solicitar aos funcion&aacute;rios do tesouro a raspagem das arestas, visando retirar metal precioso das mesmas. Assim, por exemplo, ao fim de 10 moedas raspadas era poss&iacute;vel cunhar uma nova; por cada 10 recolhidas pelo tesouro em impostos, obtinham-se 11, com a cunhagem de uma nova. Em resultado disto, a popula&ccedil;&atilde;o exigiu as ranhuras nas arestas das moedas, como forma de garantir que tal n&atilde;o acontecia.<\/p><p>Hoje, o monop&oacute;lio da cunhagem, ou seja, da<strong> emiss&atilde;o de dinheiro<\/strong>, &eacute; responsabilidade dos bancos centrais. Al&eacute;m disso, <strong>a emiss&atilde;o de dinheiro &eacute; ilimitada<\/strong>, pois o dinheiro n&atilde;o corresponde a uma mat&eacute;ria-prima, como o Ouro ou Prata; a emiss&atilde;o realiza-se por contrapartida de d&iacute;vida, como iremos explicar seguidamente. Desta forma, os bancos centrais podem emitir a quantidade de dinheiro que desejam, possibilitando <strong>infla&ccedil;&atilde;o ilimitada<\/strong>.<\/p><p><strong>Reservas fraccionadas e actividade banc&aacute;ria protegida<\/strong><\/p><p>Desde sempre, as caracter&iacute;sticas do dinheiro atra&iacute;ram banqueiros e governantes para a pr&aacute;tica de reservas fraccionadas. <strong>Quais s&atilde;o essas caracter&iacute;sticas?<\/strong><\/p><p>Tal como o petr&oacute;leo ou o caf&eacute;, o Ouro &eacute; um bem fung&iacute;vel; no entanto, ao ser dinheiro tornou-se completamente distinto dos demais.<\/p><p>Imaginemos que o leitor deposita 5 Kg de caf&eacute; num armaz&eacute;m; em troca, o guarda de armaz&eacute;m entrega-lhe uma ficha a indicar o seu dep&oacute;sito. Atendendo que se trata de um bem perec&iacute;vel, ser&aacute; obrigatoriamente consumido; algum dia, ir&aacute; certamente levantar o caf&eacute; para o consumir ou comercializar. Tal n&atilde;o acontece com o <strong>dinheiro, pois este apenas serve para intermediar uma troca<\/strong>, nada mais. <strong>N&atilde;o o consumimos<\/strong>.<\/p><p><strong>Assim, surgiu a tentativa de misturar duas actividades:<\/strong><\/p><ul>\n<li><strong> (i)<\/strong> a cust&oacute;dia do dinheiro;<\/li>\n<li><strong>(ii)<\/strong> a intermedia&ccedil;&atilde;o de poupan&ccedil;a.<\/li>\n<\/ul><p>O banqueiro de imediato se apercebeu que os depositantes n&atilde;o levantavam o dinheiro. Em muitos casos, os depositantes utilizavam notas ou recibos de dep&oacute;sito para realizar pagamentos, em lugar de solicitar a sua devolu&ccedil;&atilde;o. Ou seja, o &ldquo;recibo de armaz&eacute;m&rdquo; era entregue como forma de pagamento, em lugar do resgate do Ouro para proceder ao pagamento.<\/p><p>Para melhor ilustrar, iremos socorrer-nos de um <strong>exemplo<\/strong>. Vamos imaginar que o banqueiro A tem 100 Kg de Ouro &agrave; sua guarda. Por contrapartida desta cust&oacute;dia emite notas de 1 Kg; desta forma, emitiu 100 notas. Os clientes sabem que essas notas d&atilde;o direito a solicitar a sua convers&atilde;o imediata em Ouro, como se de recibos de armaz&eacute;m se tratassem; como confiam, apenas uma parte dos clientes exige a convers&atilde;o.<\/p><p><strong>A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; a seguinte<\/strong>:<\/p><table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"306\">Armaz&eacute;m<\/td>\n<td width=\"342\">Notas emitidas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"306\">100 kg de Ouro<\/td>\n<td width=\"342\">100 (cada nota corresponde a 1Kg)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><p>Vamos supor que o banqueiro A se apercebe deste fen&oacute;meno, assumindo que apenas necessita 10% do Ouro depositado no seu armaz&eacute;m para satisfazer os pedidos di&aacute;rios de convers&atilde;o.<\/p><p><strong>Em que neg&oacute;cio poder&aacute; embarcar?<\/strong> Na concess&atilde;o de empr&eacute;stimos sem a necessidade de encontrar aforradores. <strong>Como?<\/strong><\/p><p>Ao verificar que a sociedade confia nas suas notas, ou seja, estas s&atilde;o utilizadas em trocas comerciais, no pressuposto de que s&atilde;o de imediato convert&iacute;veis em Ouro, caso seja solicitada a devolu&ccedil;&atilde;o do dep&oacute;sito junto do banco A.<\/p><p><strong>O que ir&aacute; o banqueiro fazer?<\/strong> Emitir notas por contrapartida de d&iacute;vida; ou seja, do &ldquo;nada&rdquo;.<strong> Qual o volume de cr&eacute;dito que poder&aacute; conceder?<\/strong> 900.<\/p><p><strong>Vamos ent&atilde;o ver porqu&ecirc;.<\/strong><\/p><table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"216\">Armaz&eacute;m<\/td>\n<td width=\"216\">Activo\/direitos<\/td>\n<td width=\"216\">Notas emitidas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"216\">100 kg de Ouro<\/td>\n<td width=\"216\">900 unidades monet&aacute;rias de cr&eacute;dito<\/td>\n<td width=\"216\">1000 A (100 dos dep&oacute;sitos; 900 emitidas para concess&atilde;o de cr&eacute;dito)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><p>Como podemos observar na tabela, <strong>apenas 10% das notas em circula&ccedil;&atilde;o est&aacute; coberta por Ouro f&iacute;sico&ndash; o tal modelo de reservas fraccionadas<\/strong>. Desta forma, os levantamentos do dia-a-dia dos clientes est&atilde;o assegurados.<\/p><p>Vamos imaginar que o banqueiro cobra 10%\/ano sobre os empr&eacute;stimos realizados. Ao final de um ano, ir&aacute; receber 9Kg de Ouro a t&iacute;tulo de juros. Se tivesse que pagar a aforradores, vamos supor 5%\/ano, teria de pagar 4,5Kg de Ouro.<\/p><p><strong>Tal, reduzia os seus lucro a metade!<\/strong><\/p><p>O que poderia destruir ou reduzir esta fraude: <strong>a exist&ecirc;ncia de um mercado livre<\/strong>. A possibilidade de aparecerem bancos concorrentes ao banco A.<\/p><p>Vamos ent&atilde;o supor que o banco B abre portas e consegue nos primeiros meses de actividade 200 Kg de Ouro em dep&oacute;sitos. Como os seus clientes realizam neg&oacute;cios com os clientes do banco A, recebem notas emitidas pelo banco A como forma de pagamento.<\/p><p>Assim, realizam dep&oacute;sitos com notas emitidas pelo banco A junto do banco B, em lugar de realizar o dep&oacute;sito em dinheiro &ndash; neste caso, Ouro. Vamos supor que recebe 150 notas do banco A em dep&oacute;sitos dos seus clientes.<\/p><p><strong>A situa&ccedil;&atilde;o do banco B seria a seguinte:<\/strong><\/p><table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"216\">Armaz&eacute;m<\/td>\n<td width=\"216\">Activo\/direitos<\/td>\n<td width=\"216\">Notas emitidas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"216\">200 kg de Ouro\n<p>150 notas do banco A<\/p><\/td>\n<td width=\"216\">150 notas do banco A<\/td>\n<td width=\"216\">200 B (100% de dep&oacute;sitos)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><p>Como podemos observar, pelos 200 Kg de Ouro recebidos a t&iacute;tulo de dep&oacute;sito, o banco B emitiu 200 notas com a sua marca &ndash; semelhante a recibos de armaz&eacute;m. Tamb&eacute;m tem na sua caixa-forte 150 notas (recibos de armaz&eacute;m do banco A) emitidas pelo banco A &ndash; em teoria, deveriam corresponder &agrave; imediataconvers&atilde;o em Ouro. <strong>N&atilde;o &eacute; o caso<\/strong>.<\/p><p>Se o banco B decide solicitar a convers&atilde;o destas notas em Ouro ao banco A, o que se ir&aacute; passar? <strong>Claro: a fal&ecirc;ncia do banco A<\/strong>, aquilo que ao longo da hist&oacute;ria design&aacute;mos <strong>por corridas aos bancos<\/strong>.<\/p><p>Quando os clientes se apercebem que o seu dinheiro simplesmente n&atilde;o existe nos cofres do banco, iniciam uma competi&ccedil;&atilde;o para converter o mais rapidamente poss&iacute;vel as suas notas ou certificados de dep&oacute;sito em dinheiro.<\/p><p>Em que situa&ccedil;&atilde;o o banco A e o banco B evitariam estas complica&ccedil;&otilde;es? Se o banco B adoptasse a mesma pol&iacute;tica do banco A: a pol&iacute;tica de reservas fraccionadas, emitindo notas por contrapartida de d&iacute;vida. Vamos supor a seguinte situa&ccedil;&atilde;o dos bancos A e B.<\/p><p><strong>Banco A<\/strong><\/p><table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"216\">Armaz&eacute;m<\/td>\n<td width=\"216\">Activo\/direitos<\/td>\n<td width=\"216\">Notas emitidas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"216\">100 kg de Ouro\n<p>&nbsp;<\/p><\/td>\n<td width=\"216\">300 notas do banco B\n<p>900 unidades monet&aacute;rias de cr&eacute;dito<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/td>\n<td width=\"216\">1000 A (100 dos dep&oacute;sitos; 900 emitidas para concess&atilde;o de cr&eacute;dito)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><p><strong>Banco B<\/strong><\/p><table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"216\">Armaz&eacute;m<\/td>\n<td width=\"216\">Activo\/direitos<\/td>\n<td width=\"216\">Notas emitidas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"216\">200 kg de Ouro\n<p>&nbsp;<\/p><\/td>\n<td width=\"216\">150 notas do banco A\n<p>1800 unidades monet&aacute;rias de cr&eacute;dito<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/td>\n<td width=\"216\">2000 B (100 dos dep&oacute;sitos; 1800 emitidas para concess&atilde;o de cr&eacute;dito)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><p><strong>O que ir&aacute; acontecer se os dois bancos tentam liquidar posi&ccedil;&otilde;es?<\/strong><\/p><p>O Banco A deve 150 Kg de Ouro ao banco B; por sua vez, este deve 300 Kg ao banco A. Ao haver encontro de contas, o Banco B dever&aacute; entregar 150 Kg de Ouro ao banco A, eliminando-se as notas de deve\/haver entre as duas entidades.<\/p><p>Quanto maior a coordena&ccedil;&atilde;o entre estas duas entidades, menor a probabilidade de situa&ccedil;&otilde;es de debilidade. Eis a raz&atilde;o do surgimento dos bancos centrais: servir de maestro da fraude, assegurando o encontro de contas entre bancos sem colocar em risco a sua solv&ecirc;ncia.<\/p><p>Para tal, foi necess&aacute;rio implementar um cartel banc&aacute;rio, obrigando a quem entra no neg&oacute;cio a solicitar uma licen&ccedil;a para operar junto do banco central. Todos se devem sujeitar ao poder absoluto desta entidade, que garante a coordena&ccedil;&atilde;o e evita situa&ccedil;&otilde;es de insolv&ecirc;ncia\/crise &ndash; por isso, alguns o designam por prestamista de &uacute;ltima inst&acirc;ncia.<\/p><p>A pr&aacute;tica de reservas fraccionadas acabou por ser legalizada no mundo ocidental. Pelo facto de um banco possuir uma licen&ccedil;a emitida pelo banco central, d&aacute;-lhe o direito de emitir dinheiro por contrapartida de d&iacute;vida.<\/p><p>Sem produzir qualquer bem ou servi&ccedil;o &agrave; sociedade, ou intermediar poupan&ccedil;a, esta pr&aacute;tica <strong>dilui o poder aquisitivo do dinheiro<\/strong>.<\/p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/criptoloja.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/iStock-1211505733-2-scaled-e1603376380274.jpg\" alt=\"Perda-de-direitos-dos-depositantes\" width=\"800\" height=\"600\"><\/p><p><strong>Perda de direitos dos depositantes<\/strong><\/p><p>Para agravar a situa&ccedil;&atilde;o dos depositantes, v&aacute;rias altera&ccedil;&otilde;es ao c&oacute;digo legal tiveram lugar. O contrato de dep&oacute;sito foi eliminado; o que significa? Quando realizamos um dep&oacute;sito &agrave; ordem num banco, n&atilde;o se trata de um dep&oacute;sito, mas de um cr&eacute;dito ao banco.<\/p><p><strong>A entidade n&atilde;o est&aacute; a realizar a cust&oacute;dia do nosso dinheiro, mas apenas a aceitar um empr&eacute;stimo da nossa parte.<\/strong><\/p><p>Para dar uma sensa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a, os estados obrigaram a um seguro de dep&oacute;sito, que permite aos clientes serem ressarcidos at&eacute; um determinado montante. Em Portugal este limite encontra-se em 100 mil euros. Obviamente, trata-se de uma <strong>ilus&atilde;o<\/strong>, pois este fundo de garantia n&atilde;o possui recursos na eventualidade de um cataclismo &ndash; na verdade, apenas uma &iacute;nfima parte.<\/p><p><strong>O dinheiro emitido por contrapartida de d&iacute;vida &ndash; o fim do padr&atilde;o Ouro<\/strong><\/p><p>Em 1971, o presidente Nixon, declarou o fim da convertibilidade do USD em on&ccedil;as de ouro. Na altura, cada on&ccedil;a de ouro correspondia a 35 USD; hoje, cada on&ccedil;a de ouro vale mais de 1900 USD, uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o de 98%!<\/p><p>O dinheiro deixou de ser uma mat&eacute;ria-prima, que pelas suas qualidades tornou-se dinheiro, como foi o caso do Ouro e da Prata, passando a ser uma imposi&ccedil;&atilde;o dos estados. O dinheiro a nada corresponde, apenas resulta da confian&ccedil;a no banco central emissor. A este tipo de dinheiro designamos por Fiat. O seu valor deriva da lei.<\/p><p>Hoje, os bancos centrais emitem dinheiro por concess&atilde;o de cr&eacute;dito aos bancos comerciais, por si supervisionados. Estes &uacute;ltimos tamb&eacute;m emitem dinheiro por contrapartida de cr&eacute;dito aos seus clientes. Sem produzir qualquer bem ou servi&ccedil;o, o sistema banc&aacute;rio apropria-se de uma crescente fatia da riqueza produzida, atrav&eacute;s do crescimento incessante de d&iacute;vida. Este cresce de forma exponencial a todos os n&iacute;veis: p&uacute;blica, privada e empresarial.<\/p><p>Como o dinheiro &eacute; emitido sem esfor&ccedil;o, bastando um terminal de computador e uma licen&ccedil;a estatal para o efeito, por contrapartida de d&iacute;vida, esta tornou-se exponencial, obrigando &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o das taxas de juro pelos bancos centrais.<\/p><p>Para evitar a insolv&ecirc;ncia dos estados, nos &uacute;ltimos anos inventaram o conceito de taxas de juro negativas, como se o tempo andasse para tr&aacute;s. A taxa de juro deixou de ser o resultado da oferta e procura por aforro, para dar lugar a reuni&otilde;es de 10 planeadores centrais, que determinam o pre&ccedil;o do dinheiro, manipulando-o a seu belo prazer.<\/p><p><strong>Resumo do actual sistema banc&aacute;rio<\/strong><\/p><ul>\n<li><strong>Cust&oacute;dia de valores cara e com riscos<\/strong>. Na verdade, n&atilde;o existe guarda de dinheiro, apenas cr&eacute;dito aos bancos comerciais. Para assegurar o &ldquo;dep&oacute;sito&rdquo; dos clientes, na pr&aacute;tica cr&eacute;dito, os bancos devem possuir um car&iacute;ssimo sistema inform&aacute;tico para controlar os valores e as transac&ccedil;&otilde;es dos seus clientes. Um ataque inform&aacute;tico, a neglig&ecirc;ncia ou o desleixo podem colocar em risco o livro-raz&atilde;o dos bancos (os movimentos do extracto banc&aacute;rio);<\/li>\n<li><strong>Sistema centralizado<\/strong>. Os bancos comerciais est&atilde;o subordinados a uma autoridade central &ndash; o banco central. O controlo deste sistema, atrav&eacute;s do envio de todos os dados ao banco central por parte dos bancos, torna a actividade banc&aacute;ria onerosa, atendendo ao ex&eacute;rcito de supervisores para garantir a sua seguran&ccedil;a. A informa&ccedil;&atilde;o est&aacute; concentrada na entidade banc&aacute;ria ou no banco central. O erro por parte de poucos, poder colocar em risco o sistema;<\/li>\n<li><strong>Obriga &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de bancos e entidades terceiras. <\/strong>A transfer&ecirc;ncia de dinheiro obriga &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de um banco ou uma entidade terceira. Para eu enviar uma transfer&ecirc;ncia de 1000 Euros de um banco portugu&ecirc;s para um banco espanhol, tr&ecirc;s entidades s&atilde;o obrigatoriamente envolvidas: o meu banco, o banco central e o banco espanhol. Em caso de cart&otilde;es de cr&eacute;dito, mais entidades ser&atilde;o envolvidas. N&atilde;o existe a possibilidade de eu tratar directamente com o meu amigo em Espanha a realiza&ccedil;&atilde;o de uma transfer&ecirc;ncia de dinheiro, sem recorrer a terceiros;<\/li>\n<li><strong>N&atilde;o h&aacute; protec&ccedil;&atilde;o da privacidade. <\/strong>Para um banco aceitar o meu &ldquo;dep&oacute;sito&rdquo;, na realidade um cr&eacute;dito ao banco, obriga-me a facultar-lhe uma mir&iacute;ade de informa&ccedil;&otilde;es pessoais. Estes dados s&atilde;o acess&iacute;veis a colaboradores do banco, a funcion&aacute;rios dos bancos centrais ou a funcion&aacute;rios do fisco;<\/li>\n<li><strong>Emiss&atilde;o ilimitada de dinheiro. <\/strong>O dinheiro utilizado pelo sistema est&aacute; sempre a perder valor. Os bancos centrais podem emitir dinheiro de forma ilimitada e sem esfor&ccedil;o: basta clicar um bot&atilde;o do computador. Os bancos comerciais podem emitir dinheiro do nada para conceder cr&eacute;dito, bastando um registo do mesmo na sua contabilidade. Como est&atilde;o em conluio com os governos, est&atilde;o sistematicamente a emitir dinheiro por contrapartida de d&iacute;vida e for&ccedil;ando os juros para 0%, ou mesmo valores negativos, permitindo que a d&iacute;vida seja suport&aacute;vel. Os juros negativos e o crescimento exponencial da massa monet&aacute;ria reduzem sistematicamente o valor aquisitivo da moeda;<\/li>\n<li><strong>Reservas fraccionadas. <\/strong>Os bancos num sistema destes s&atilde;o intrinsecamente insolventes, ou seja, operam com base na confian&ccedil;a.<strong> O que significa?<\/strong> Se todos os clientes convertessem os seus dep&oacute;sitos em moedas e notas n&atilde;o seria poss&iacute;vel satisfaz&ecirc;-los a todos. Por essa raz&atilde;o, muitos apontam como possibilidade a elimina&ccedil;&atilde;o do dinheiro f&iacute;sico, impossibilitando a sa&iacute;da do sistema pelos clientes.<\/li>\n<\/ul><p><strong>N&atilde;o se esque&ccedil;a de nos seguir no <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CriptoLoja-102672821559753\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Facebook<\/a>, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/criptoloja\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Twitter<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/company\/criptoloja\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Linkedin<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/criptoloja\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Instagram<\/a>!<\/strong><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No nosso artigo &ldquo;O que &eacute; o dinheiro?&rdquo; explic&aacute;mos que o dinheiro era um bem universalmente utilizado como intermedi&aacute;rio das trocas numa dada economia. 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