{"id":14605,"date":"2022-07-28T11:07:22","date_gmt":"2022-07-28T10:07:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.criptoloja.com\/?p=14605"},"modified":"2022-07-28T11:07:22","modified_gmt":"2022-07-28T10:07:22","slug":"criptomoedas-inimigas-dos-bancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mercado-bitcoin-develop.go-vip.net\/criptoloja\/criptomoedas-inimigas-dos-bancos\/","title":{"rendered":"CRIPTOMOEDAS: INIMIGAS DOS BANCOS?"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos &uacute;ltimos meses, temos assistido a uma aut&ecirc;ntica sanha persecut&oacute;ria por parte da maioria dos bancos portugueses &agrave;s Corretoras de Criptomoedas registadas no Banco de Portugal.<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas entidades banc&aacute;rias simplesmente n&atilde;o aceitam sequer a simples abertura de uma conta banc&aacute;ria &ndash; &ldquo;<em>n&atilde;o trabalhamos com empresas deste sector<\/em>&rdquo;; outras, depois da respectiva abertura e ao fim de alguns meses, em alguns casos apenas semanas, notificam o encerramento ao abrigo das cl&aacute;usulas contratuais &ndash; as partes podem denunciar o contrato com um pr&eacute;-aviso de 60 dias. Sem mais, sem qualquer motivo.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Ap&oacute;s indagar-se sobre as respectivas raz&otilde;es, escutam-se express&otilde;es do g&eacute;nero: &ldquo;<em>o departamento de compliance n&atilde;o se sente confort&aacute;vel&hellip;ap&oacute;s revis&atilde;o dos crit&eacute;rios aplicados aos distintos sectores de actividade, consideramos que n&atilde;o existe interesse em manter contas abertas com empresas deste tipo&hellip;&rdquo;.<\/em><\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Importa recordar que enquanto esperavam meses a fio &ndash; quase um ano &ndash; pelo registo junto de uma institui&ccedil;&atilde;o centen&aacute;ria, como &eacute; o caso do Banco de Portugal, por forma a sujeitarem-se &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o de preven&ccedil;&atilde;o do branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo (PBCFT), suportavam despesas com advogados, com rendas de escrit&oacute;rio e com sistemas inform&aacute;ticos, apenas para citar as principais.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do registo, suportam agora despesas com o respons&aacute;vel pelo Departamento de Cumprimento Normativo e respectiva equipa, com auditorias externas, visando verificar a adequa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e procedimentos de PBCFT, com empresas externas para vigiar em perman&ecirc;ncia, entre outros, listas de san&ccedil;&otilde;es, pessoas politicamente expostas, familiares directos e relacionados, com a forma&ccedil;&atilde;o dos seus executivos e colaboradores; enfim, uma infind&aacute;vel lista de encargos resultantes do cumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o aplic&aacute;vel.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Em face disto, n&atilde;o se compreende a persegui&ccedil;&atilde;o &agrave;s Corretoras de Criptomoedas por parte dos bancos. &Eacute; um desrespeito. &Eacute; uma desconsidera&ccedil;&atilde;o. Na verdade, uma desautoriza&ccedil;&atilde;o do Supervisor, o Banco de Portugal. Ao contr&aacute;rio do que a gest&atilde;o da maioria dos bancos possa imaginar, as Criptomoedas e o seu sucesso s&atilde;o o seu maior aliado, caso desejem sobreviver.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Como cheg&aacute;mos at&eacute; aqui? Numa primeira etapa, a total ostraciza&ccedil;&atilde;o: dirigentes, burocratas e banqueiros centrais associavam as Criptomoedas &agrave; lavagem de dinheiro e actividades il&iacute;citas (lenoc&iacute;nio, tr&aacute;fico de armas e de droga&hellip;), uma esp&eacute;cie de &ldquo;<em>mundo de marginais e bandidos<\/em>&rdquo;. &nbsp;<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Na verdade, apenas uma &iacute;nfima parte desta actividade acontece com as Criptomoedas, ocorrendo na sua maioria no mundo <em>fiat <\/em>e com o dinheiro f&iacute;sico &ndash; algu&eacute;m dizia em tom de brincadeira: &ldquo;<em>todas as notas de d&oacute;lar cont&ecirc;m vest&iacute;gios de coca&iacute;na<\/em>&rdquo;;.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr&aacute;rio do dinheiro f&iacute;sico, todos os movimentos nas Criptomoedas s&atilde;o rastre&aacute;veis; por outro lado, aqueles que utilizam Criptomoedas para esta actividade podem ver as suas carteiras assinaladas, n&atilde;o podendo jamais transform&aacute;-las em dinheiro. E caso recorram a Criptomoedas an&oacute;nimas, as mesmas n&atilde;o s&atilde;o aceites pelas Corretoras de Criptomoedas.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Como o seu sucesso era impar&aacute;vel, pass&aacute;mos para outra etapa: as Criptomoedas representam um enorme risco para os investidores, esquecendo-se do aparecimento das <em>StableCoins<\/em>, como &eacute; caso do Tether (USDT) e do USD Coin (USDC). Estas est&atilde;o indexadas ao par (1:1) com o USD, eliminando, desta forma, todas as oscila&ccedil;&otilde;es e permitindo o seu uso em projectos DeFi, onde &eacute; poss&iacute;vel aplicar poupan&ccedil;as com remunera&ccedil;&otilde;es muito superiores &agrave; dos bancos.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Como a caravana continuava em movimento, enquanto os c&atilde;es ladravam, l&aacute; apareceu, e bem, a urgente regula&ccedil;&atilde;o do sector: registo junto do Banco Central por forma a obrigar as empresas de Criptomoedas a cumprir a legisla&ccedil;&atilde;o de PBCFT.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ainda n&atilde;o era suficiente. A enorme concorr&ecirc;ncia das Criptomoedas coloca em causa o monop&oacute;lio monet&aacute;rio dos Bancos Centrais; por essa raz&atilde;o, duas frentes foram abertas: (i) o lan&ccedil;amento de moedas digitais dos bancos centrais, o Euro digital, o USD digital; (ii) a regula&ccedil;&atilde;o preventiva e comportamental das empresas de Criptomoedas e das empresas emissoras de StableCoins, a denominada legisla&ccedil;&atilde;o MICA.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Para al&eacute;m de uma perigosa amea&ccedil;a &agrave; liberdade individual, as moedas digitais dos bancos centrais poder&atilde;o representar o fim da actividade banc&aacute;ria tal como hoje a conhecemos.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Em primeiro lugar, as pessoas deixam de necessitar de abrir uma conta numa institui&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria, passando a poder faz&ecirc;-lo directamente no Banco Central. Bastar&aacute; a emiss&atilde;o de uma identidade digital &ndash; seja pessoa singular ou colectiva &ndash; por parte das autoridades e associ&aacute;-la a uma carteira digital do Banco Central &ndash; no telem&oacute;vel ou PC. A partir desse momento, as contas banc&aacute;rias perdem toda e qualquer utilidade.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Em segundo lugar, os custos associados ao aparato para prevenir o BCFT, essencialmente a cargo dos bancos e empresas de Criptomoedas, cessam de existir, pois todas as transac&ccedil;&otilde;es passam a ser rastre&aacute;veis e o anonimato desaparece por completo, bastando um simples bot&atilde;o para apurar as entradas e sa&iacute;das de tesouraria de um determinado indiv&iacute;duo. Ou seja, os bancos tornam-se dispens&aacute;veis, dado que esta tarefa deixa de ser necess&aacute;ria. Tudo isto ser&aacute; obviamente acompanhado pela elimina&ccedil;&atilde;o do dinheiro f&iacute;sico.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Em terceiro lugar, as receitas da emiss&atilde;o de dinheiro cessam de existir. Hoje, os bancos concedem em monop&oacute;lio cr&eacute;dito &agrave;s empresas e particulares pela simples emiss&atilde;o de dinheiro &ndash; uma partida dobrada no seu balan&ccedil;o; com a introdu&ccedil;&atilde;o da moeda digital do banco central, os Bancos Centrais passam a emitir dinheiro e a creditar as carteiras digitais dos particulares e das empresas. Ou seja, se necessitam realizar est&iacute;mulos monet&aacute;rios, como aconteceu em 2020 e 2021, passam a faz&ecirc;-lo directamente, atrav&eacute;s do cr&eacute;dito das carteiras digitais das pessoas singulares e colectivas que entendam &ndash; podem definir os destinat&aacute;rios, o montante e por quanto tempo pode ser usado.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Por &uacute;ltimo, como se fosse pouco, o neg&oacute;cio do cr&eacute;dito fica totalmente amea&ccedil;ado. Basta uma plataforma de uma FinTech para construir um mercado de poupan&ccedil;a e cr&eacute;dito, como hoje ocorre com os projectos DeFi. Ou seja, quem quer emprestar as suas poupan&ccedil;as solicita uma determinada remunera&ccedil;&atilde;o, como se fosse uma ordem limitada enviada a um mercado; quem deseja pedir um empr&eacute;stimo, ir&aacute; deixar colateral, seja moeda digital do banco central ou activos virtuais, sendo executado caso n&atilde;o honre os compromissos.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Os &uacute;ltimos dois anos s&atilde;o a prova de que a concorr&ecirc;ncia com as Criptomoedas &eacute; algo que n&atilde;o est&aacute; a correr bem para os bancos. Na Figura 1, desde o final de 2019, podemos observar que o desempenho da maioria dos grandes bancos &eacute; miser&aacute;vel face &agrave;s duas principais Criptomoedas.<\/p><figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1019\" height=\"562\" src=\"https:\/\/blog.criptoloja.com\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14606\" srcset=\"https:\/\/mercado-bitcoin-develop.go-vip.net\/criptoloja\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2022\/07\/image-3.png 1019w, https:\/\/mercado-bitcoin-develop.go-vip.net\/criptoloja\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2022\/07\/image-3.png?resize=300,165 300w, https:\/\/mercado-bitcoin-develop.go-vip.net\/criptoloja\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2022\/07\/image-3.png?resize=500,276 500w, https:\/\/mercado-bitcoin-develop.go-vip.net\/criptoloja\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2022\/07\/image-3.png?resize=768,424 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1019px) 100vw, 1019px\" \/><\/figure><p class=\"wp-block-paragraph\">No romance Frankenstein, da autoria de Mary Shelley, Victor Frankenstein, um estudante de ci&ecirc;ncias naturais, constr&oacute;i um monstro no seu laborat&oacute;rio. Ao longo do romance, o monstro &eacute; respons&aacute;vel por assassinar v&aacute;rias pessoas do c&iacute;rculo pr&oacute;ximo de Victor Frankenstein.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Jurando vingan&ccedil;a, o criador passa a perseguir a criatura, que o leva atrav&eacute;s de uma longa ca&ccedil;ada em direc&ccedil;&atilde;o ao norte, prosseguindo pelos mares congelados, onde eventualmente s&atilde;o avistados pelo capit&atilde;o Walton e a sua tripula&ccedil;&atilde;o. Em determinado momento, o navio onde navegavam os exploradores fica preso no gelo. Victor Frankenstein, j&aacute; bastante doente, acaba por morrer.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Ao entrar na cabine, o capit&atilde;o Walton surpreende a criatura no leito da morte de Frankenstein, carpindo o seu criador. Walton diz para a mulher de Victor Frankenstein de que n&atilde;o havia mais o que temer, pois os crimes do monstro tinham terminado com a morte de Victor Frankestein. No final, ela promete a Walton ir ao extremo Norte suicidar-se, trazendo paz aos humanos.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">A nossa realidade difere um pouco do romance de Mary Shelley: a banca &eacute; o nosso Victor Frankenstein; o Banco Central &eacute; a criatura ir&aacute; destruir o seu criador &ndash; a banca. Na sua navega&ccedil;&atilde;o em direc&ccedil;&atilde;o ao norte, em lugar de tomar o capit&atilde;o Walton &ndash; as empresas de Criptomoedas &ndash;&nbsp; como amigo, trata-o mal e n&atilde;o compreende que este apenas o est&aacute; a ajudar na ca&ccedil;ada, n&atilde;o temendo a sabedoria e o poder da criatura.<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\">Em lugar de pedir ajuda ao capit&atilde;o Walton, a banca quer agora colocar as empresas de Criptomoedas sem contas banc&aacute;rias &ndash; sem poder processar sal&aacute;rios, impostos, etc &ndash;, na esperan&ccedil;a de alcan&ccedil;ar o monstro sem qualquer socorro.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos &uacute;ltimos meses, temos assistido a uma aut&ecirc;ntica sanha persecut&oacute;ria por parte da maioria dos bancos portugueses &agrave;s Corretoras de Criptomoedas registadas no Banco de Portugal. 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